23 de novembro de 2008 – Festa de Cristo Rei
Mt 25, 31-46 Na conclusão de cada ano litúrgico a igreja celebra a soberania e o senhorio de Jesus Cristo, amigo e servidor dos pobres. No evangelho deste domingo de Cristo Rei encontra-se o último ensinamento de Jesus e a parábola do juízo final em Mateus: um grande julgamento público universal onde todos os povos da terra serão reunidos diante do Filho do Homem. A linguagem utilizada é a dos grupos apocalípticos dos tempos de Jesus. O juiz da parábola é também rei e age como um pastor que separa as ovelhas dos cabritos. No Antigo Testamento os reis eram também chamados de pastores do povo, embora nem sempre cumprissem fielmente esse papel. Jesus, o juiz-rei-pastor, ao contrário, é justo, cuida, protege e quer bem a todos, sobretudo as mais desprotegidas e injustiçadas ovelhas do rebanho do povo de Deus e de toda a humanidade. A sentença do julgamento da parábola é apresentada em forma de benção e maldição e aponta para a herança do Reino ou para o lançamento no fogo eterno. Qual o critério usado nesse julgamento? A princípio não aparece nada de expressamente pura prática religiosa ou confessional. O critério para receber prêmio ou castigo é a prática do amor e do serviço. Não é tanto o pietismo religioso, mas as obras de misericórdia para com os mais pobres. Aliás, esses pobres são colocados como enviados e representantes de Cristo, pois todo bem feito a um desses menores é ao próprio Senhor que é feito. Esse último discurso de Jesus no evangelho de Mateus tem muita afinidade com o seu primeiro discurso: as bem-aventuranças, que na prática não são mandamentos, mas bênçãos e promessas de felicidade ligadas a uma exigência radical que se concretiza em atitudes. Os bem-aventurados são as pessoas misericordiosas, as que têm fome e sede de justiça, as de puro de coração, as que promovem a paz, as perseguidas por causa da justiça, etc., entre elas os pobres! O evangelho, portanto, nos mostra que a comunhão com e a opção pelos mais pobres e excluídos da humanidade é a própria comunhão com Jesus, o juiz, rei e pastor, e comunhão com Deus. Por isso, o que nos julga tem seu começo no aqui e no agora de nossa vida, nas opções cotidianas, na nossa capacidade de incluir ou não os excluídos, na promoção ou não do direito e da vida, e não necessariamente um juízo final distante. Não se trata de dar esmolas, mas de promover os direitos e a dignidade de todas as pessoas e raças. Faltam ainda sete anos para se concluir o prazo de cumprimento dos ‘Objetivos de Desenvolvimento do Milênio’. Segundo esses objetivos a fome e a pobreza deverão ser reduzidas pela metade até 2015. Com elas outros desafios sociais e ambientais deverão ser superados. À luz desse evangelho o tempo é agora para toda a humanidade, sobretudo para os cristãos que hoje celebram a solenidade de Cristo, o Rei da humanidade, fazerem da luta por um mundo mais justo e solidário uma paixão missionária. Esse compromisso se torna o critério de julgamento para assumir a posição de benditos que herdarão o Reino do Pai ou malditos herdeiros do fogo eterno.


