Antídoto contra a epidemia da pressa

Autor do texto: 
O Banquinho do Jâmpio

Novembro 2008 / Meu Deus, por essa eu não esperava! Nunca me considerei especialista em alguma coisa, menos ainda em economia. Agora descubro que, na minha última fala, dei uma de muito competente.
Vou resumir para quem não estava aqui. Então, estava eu conversando com uma senhora, comentando o fato de que todos os moradores da grande cidade sofrem da febre da pressa, no maior desrespeito pelo próximo. No meio da conversa, surgiu a pergunta: “De onde será que vem essa febre?” Eu chutei uma resposta: “não sei dizer, mas penso que em tudo isso haja dinheiro no meio”.
Nem eu sei o que queria dizer. Mas, hoje fiquei espantado ao ver como o mundo inteiro concorda com minha opinião. A epidemia febril se espalhou rapidamente pelo mundo, acelerando as batidas dos corações, a freqüência das comunicações nacionais e internacionais, deixando bilhões de pessoas com tremendas convulsões. E a coisa não quer parar. Dizem que ninguém sabe bem o que aconteceu e continua acontecendo; mas está fora de discussão que se trata de febre viral e que o nome do vírus é dinheiro. Exatamente aquilo que eu disse a respeito da minha cidade.
Animado por essa constatação, avancei nos meus pensamentos. Assim cheguei a enxergar melhor as coisas, até concluir que esse vírus que provoca tanta correria é responsável também pelas muitas pessoas que já não se mexem. Como o cara sentado num cantinho da praça, ocupando bem pouco espaço, porque lhes faltam as duas pernas, chamando a atenção dos transeuntes, com o tinir dos trocados no copo de plástico que ele sacode. Como o jovem, com aparência de velho, sempre deitado na calçada daquela rua de ricos. Como, sem dúvida, o bilhão de famintos no mundo. Esta imensa turma que corre tanto, e muitas vezes à toa, é impiedosa. Aqueles que não acompanham o ritmo são marginalizados, desprezados, eliminados. Silenciosos, olham, refletem e tiram suas conclusões que guardam só para si. Quem sabe que eles não possuam o antídoto contra o vírus do dinheiro enlouquecido e destruidor da felicidade. Vale a pena, sair da massa dos corredores e sentar perto de alguns deles, convidando-os a dizer o que pensam de tudo isso. Tenho a certeza de que surpreenderão a muitos.
Com os meus votos de uma boa noite.

Seu amigo Jâmpio