Seminário discute poluição em Açailândia

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O Estado - Maranhão

Outubro 2008 / O Ministério Público (MP) participou, sabado 11 em Açailândia, do seminário "Justiça nos trilhos - A Vale do Rio Doce e as veias abertas". Além do titular da Promotoria Especializada do Meio Ambiente, Fernando Barreto, o MP se fez representar por diversos promotores de Justiça não só da Comarca de Açailândia, como de outras da região.
O seminário foi uma das iniciativas da campanha "Justiça nos tri-lhos", iniciada no ano passado e que é coordenada pelos Missionários Combonianos Brasil Nordeste (congregação da Igreja Católica), Fórum Reage São Luís, Fórum Carajás, Sociedade Maranhense dos Direitos Humanos, Cáritas Maranhão, Sindicato dos Ferroviários do Pará/Maranhão/Tocantins e Central Única dos Trabalhadores (CUT).
Tendo como prioridade a defesa do meio-ambiente e das populações ameaçadas na região amazônica, com especial ênfase àquelas situadas às margens da Estrada de Ferro Carajás (EFC), a campanha direciona ainda o foco de sua atenção para os prejuízos causados aos povos indígenas e também aos trabalhadores vítimas de exploração.
Objetivos
Seus principais objetivos são avaliar o impacto real das atividades da Vale (ex-Companhia Vale do Rio Doce) na área de influência da estrada de ferro e propor o debate sobre a construção de mecanismos que facilitem a internalização de recursos da Vale, no sentido de impulsionar o desenvolvimento sustentado das comunidades situadas ao longo da ferrovia.
O seminário de Açailândia reuniu subsídios e questionamentos para o Fórum Social Mundial (FSM), que acontecerá em janeiro de 2009, em Belém (PA). Segundo a expectativa dos organizadores, o fórum proporcionará maior visibilidade à grave situação da região e poderá contribuir para a criação de amplas alianças em níveis nacional e internacional.
A procuradora-geral de Justiça, Maria de Fátima Rodrigues Travassos Cordeiro, prometeu aos organizadores do seminário estudar a possibilidade de buscar uma parceria entre o Ministério Público do Maranhão e do Pará na defesa dos direitos das milhares de famílias afetadas pela atividade industrial da Vale.
"Considerando-se que a ferrovia atravessa áreas extensas dos dois estados, será válido um trabalho articulado do MP, a fim de que se possam definir ações conjuntas", justificou Fátima Travassos.
O que é o programa
Como estatal, a ex-Vale do Rio Doce tinha a obrigação de contribuir com 8% de seu faturamento para um fundo de desenvolvimento, o qual era investido em benefício da população diretamente afetada. Entretanto, no momento da privatização, cessou a obrigatoriedade da contribuição.
A Vale criou uma fundação homônima com a finalidade de promover uma série de benfeitorias sociais, por meio de pequenos projetos locais. Além de não efetivarem nenhum compromisso permanente e obrigatório com as populações atingidas, os recursos aplicados são ínfimos, perante os enormes lucros anuais da empresa.
Escolhida para sediar o seminário, Açailândia é ponto estratégico para a Vale, pois é ali que a Estrada de Ferro Carajás deverá conectar-se com a Ferrovia Norte-Sul (Goiânia/GO a Belém/PA), um dos projetos importantes para a infra-estrutura de suporte ao agronegócio. O município, considerado o pior exemplo de degradação ambiental entre aqueles cortados pela ferrovia, reúne numa só área vários tipos de situação que põem em risco o bem-estar da população, como a mineração, o desflorestamento, a monocultura de eucalipto, a poluição provocada pelas siderúrgicas e carvoarias, o trabalho escravo, a miséria e a exploração sexual infantil.