Quanto valem os direito$?
Missionários Combonianos do Brasil Nordeste.
11 de abril de 2008
Carta Aberta ao Presidente Lula
Senhor Presidente Lula,
Nós, Missionários Combonianos da Província do Brasil Nordeste, presentes neste país há mais de 50 anos, temos acompanhado, durante décadas, as lutas, os sofrimentos, as esperanças e as conquistas do povo brasileiro em geral, e nordestino em particular.
Vivendo próximos ao povo, reconhecemos os avanços sociais alcançados pela sua administração durante os últimos anos, especialmente no que diz respeito à redução da histórica e vergonhosa desigualdade social, característica da sociedade brasileira, além da estabilidade econômica que há muito tempo esta nação não experimentava.
Contudo, ao celebrarmos os vinte anos da Constituição cidadã, recordando o seu histórico pessoal de lutas pela defesa dos direitos dos trabalhadores e das classes mais desfavorecidas, olhamos perplexos para as negligências do senhor e do seu governo com relação às graves problemáticas ambientais que o mundo e o Brasil sofrem atualmente e que estão estreitamente ligadas ao modelo de desenvolvimento econômico vigente.
Neste ano em que o mundo inteiro celebra, juntamente com as Nações Unidas, o 60º aniversário da promulgação da Declaração Universal dos Direitos Humanos, compreendemos que o papel da ONU precisa ser reavaliado, para que possa adaptar-se às novas realidades geopolíticas. Nesse contexto, valorizamos os esforços do Brasil para que o Conselho Permanente de Segurança seja reformulado, tornando-o mais representativo e democrático. Também apreciamos as contribuições do País para o re-estabelecimento da paz no Haiti. Independentemente da possível reforma da ONU, fica claro que um dos pilares deste organismo continuará sendo a promoção dos direitos humanos entre todos os povos.
Recentemente, a flagrante violação dos direitos humanos no Tibete, a repressão e a morte de centenas de manifestantes, assim como a resistência do povo tibetano, estão chamando a atenção do mundo inteiro e exigem o posicionamento claro de nações que se prezam pela democracia e pela liberdade. Porém, diante dessa situação, muitos governantes parecem estar mais interessados em garantir as benesses da relação econômica com a China, e permanecem calados.
Todavia, enquanto muitas entidades da sociedade civil estão se manifestando, pelo mundo afora, contrárias às políticas do governo chinês, o senhor e o seu governo têm se mostrado omissos, o que deixa muitas dúvidas a respeito dos verdadeiros interesses da política externa brasileira.
Portanto, unindo-nos à voz solidária de tantas organizações que lutam e promovem os direitos humanos, políticos, econômicos, sociais, culturais e ambientais, exigimos uma postura mais coerente de sua administração a respeito das questões enunciadas; reafirmamos a nossa convicção de que não existirá um autêntico desenvolvimento social para as nações e para o Brasil sem um verdadeiro compromisso com a promoção integral de todos os direitos conquistados pela humanidade até hoje.
Missionários Combonianos do Brasil Nordeste



