Caritas já pensa na reconstrução

“O mais urgente agora é encontrar moradia e comida para tantos que não tem nada. Porém, chegou o momento de projetar uma reconstrução justa, à medida das pessoas, pelo menos enquanto os holofotes continuem focalizando-nos. Depois, as ajudas internacionais vão diminuir, inevitavelmente”. Assim se expressou em Roma o diretor da Caritas do Haiti, Monsenhor Pierre André Dumas, quem participou de uma série de encontros com a Santa Sé, a Comunidade Santo Egídio e Caritas Internationalis. “Não às polêmicas, aos preconceitos e às rivalidades que separam – continuou falando o bispo haitiano de Anse-à-Veau et Miragoâne -, não à militarização e à burocratização das ajudas”. Aos Estados Unidos, Monsenhor Dumas pede que “façam mais, que facilitem o fluxo de ajudas para poder entrega-las à população em prazos mais curtos”, aproveitando a sua posição geográfica e o seu poder econômico. “Basta pensar que antes do sismo o orçamento do Haiti (do país inteiro!) era o equivalente ao de uma universidade americana”, aponta o diretor de Caritas. Ao presidente Barack Obama, o bispo lembra que “se o Haiti não tivesse lutado pela independência duzentos anos atrás, talvez ele não estivesse hoje na Casa Branca”. O bispo haitiano dirigiu-se também à comunidade internacional, que desde há algumas semanas multiplicou os gestos de solidariedade e promessas de ajuda, afirmando que “há espaço para todos. Cada grupo ou país encontre o seu lugar (...) os expertos em educação, na construção de redes elétricas e assim em diante”. O aspecto fundamental, segundo o seu parecer, é “ter sempre em consideração a vontade da população local, que deve ser a protagonista de sua própria reconstrução. Deve ser superado, por exemplo, o preconceito de que os haitianos são um povo violento”. Na cidade de Porto Príncipe, destruída em quase 75%, já foram sepultadas 180 mil pessoas, 200 mil encontram-se desaparecidas – provavelmente ainda estão debaixo dos escombros -, há mais de 195 mil feridos, um milhão de pessoas sem teto, e mais de 480 mil teriam abandonado a capital em busca de refúgio na casa de parentes ou amigos, em zonas rurais ou localidades do interior. Entretanto, em algumas áreas de Porto Príncipe (em Pétionville e Accra), além das ajudas de primeira necessidade, já estão sendo construídos novos serviços sanitários e alojamentos temporários, embora suscite preocupação a quantidade de pessoas que fugiram em massa e que ainda não puderam receber ajuda. “No campo e nas localidades periféricas falta totalmente a infraestrutura de acolhimento”, disse o padre Joseph Philor, assistente geral dos Missionários da Companhia de Maria (Montfortianos) à agência SIR da Conferência Episcopal Italiana. O sacerdote compara o seu país com um “pequeno Davi”: assustado e pobre, mas jovem e cheio de energias. Misna.