Economia a serviço da vida
Depois de sofrer recentemente a mais severa crise financeira das últimas décadas, a economia global precisa hoje, mais do que nunca, ser transformada profundamente de tal maneira que, muito mais do que continuar alicerçando-se no lucro e no crescimento ilimitado, comece a reger-se, efetivamente, pelo respeito aos direitos sociais, econômicos e ambientais de todas as pessoas e de todos os povos.
É esta a utopia que urge ser construída, diante do risco de continuarmos regredindo em relação aos avanços conquistados pela humanidade no que diz respeito ao combate da pobreza, da fome e da desigualdade social.
Sociabilidade, solidariedade, sobriedade e sustentabilidade. Talvez possam ser estes, entre outros, alguns dos princípios norteadores de uma nova economia que se estruture a partir do valor fundamental da vida e que seja orientada eticamente a fim de tornar-se socioambientalmente responsável.
A construção, lenta, mas progressiva, de novos paradigmas econômicos passa mais pela prática de novas relações tecidas no cotidiano das pessoas, entre os grupos humanos e as nações que se esforçam por exercitar princípios como os acima citados, e não pode limitar-se a decretos governamentais e a acordos inter-empresariais.
Todavia, a prática de uma economia mais solidária e socialmente sustentável, para ser incisiva e duradoura nos seus efeitos, precisa alimentar-se continuamente de convicções de caráter ético que, por sua vez, se sustentem num processo de reflexão, de participação e de diálogo permanente.
Embora muitas das questões econômicas sejam um tanto ásperas ou inacessíveis para a maioria das pessoas comuns (que só sentem a dureza dos efeitos das crises econômicas ou as benesses imediatas de políticas econômicas bem sucedidas), algumas igrejas cristãs do Brasil assumiram neste ano, através da Campanha da Fraternidade Ecumênica que focaliza a temática “Fraternidade e economia”, o compromisso de provocar nos seus membros e na sociedade em geral uma reflexão mais profunda sobre as implicações que, a médio e longo prazo, o atual modelo econômico pode trazer para o cotidiano dessas mesmas pessoas, para a sociedade brasileira e para a sustentabilidade da própria vida no planeta.
Esperamos que a CF 2010 realmente possa atingir seus objetivos!
Combonianos Nordeste, fevereiro de 2010.



