Outra paz possível
Neste ano de 2010 encerra-se a “Década da Paz”, promulgada pela UNESCO. A primeira e mais evidente conclusão, após uma avaliação parcial sobre os avanços alcançados nessa década, é que ainda há muito a ser feito para construir a paz. E para continuarmos avançando nessa enorme tarefa, precisamos resistir diante da tentação do conformismo e insistir na luta permanente em busca de outra paz possível.
No desejo e na busca de uma paz 'urgente', a humanidade tende, não poucas vezes, a idealizar ou romantizar o conceito de paz e a fazer dos movimentos que se empenham na construção da mesma (pacifismo) um lugar de discursos fáceis, de emocionalismo ou de modismo. Isso se deve, em parte, ao fato de que ainda é muito difundido o conceito de paz como simples ausência de guerra ou de perturbação, como sinônimo de 'ordem' ou ainda como fruto de um modelo de desenvolvimento que é, por sua própria natureza, gerador das mais diversas violências.
A ideia de paz apenas como ausência de guerra pode camuflar não somente a justificação da violação dos direitos humanos, da pobreza e da miséria, mas também outras formas de violência menos perceptíveis, porém reais. Portanto, tal representação da paz também precisa passar por um processo de desconstrução para dar espaço a uma concepção mais positiva que inclua experiências humanas como justiça, igualdade, fraternidade, direitos humanos, democracia e, inclusive, o cuidado socioambiental.
Por outro lado, a paz tampouco pode ser considerada somente como uma meta, um ideal ou utopia a ser alcançada não se sabe quando e onde. A paz não é algo para amanhã. Pelo contrário, ela deve ser concebida como uma agenda de ação para o presente, superando assim, a sua associação com passividade, tranquilidade ou inércia.
Só a partir desta perspectiva, a busca pela paz pode provocar um grande movimento de libertação através do qual os jovens, as mulheres, as minorias étnicas, as vítimas de violações dos direitos humanos e os pobres em geral podem tornar-se protagonistas na transformação social.
Combonianos Nordeste, janeiro de 2010.



