03 de janeiro de 2010 - Epifania do Senhor
Mateus 2, 1-12
Celebramos no domingo da Epifania a manifestação de Jesus ao mundo, umas das festas missionárias mais significativas do ano.
No Evangelho de Mateus os que estão fora da religião são os primeiros a acolher, aceitar e reconhecer Jesus.
Desde o começo, Mateus coloca alguns “magos”, ou melhor, astrólogos, charlatães, adivinhos vindos do Oriente. Trata-se de uma categoria de gente e uma profissão não bem vista pela religião oficial. Além do mais, oriundos de uma terra pagã: são os mais afastados e considerados longe de Deus, sem direito à salvação.
Quando eles chegam a Jerusalém, Herodes se assusta e a cidade toda fica alarmada. Chegaram os pagãos, os estrangeiros, os que sabem interpretar os sinais de Deus, ocultados pelas práticas religiosas do templo sem amor, feitas pelos que se consideram “eleitos”, por ter Deus como rei, ser um povo sacerdotal e uma nação santa esposa de Deus.
Jerusalém, envolvida na morte, fica sem o brilho da estrela. O menino rei que irá desmascarar o sistema religioso incomoda, deve ser eliminado. Todos os sumos sacerdotes reunidos por Herodes, recordam o momento da decisão de crucificar Jesus. Os teólogos reunidos no templo sabem onde Jesus vai nascer, mas não fazem nada para acolher o verdadeiro rei.
Não adianta nada conhecer as escrituras se em seguida não construímos uma nova história com Jesus.
O menino nasce numa casa. Ele e nós não precisamos mais do templo, mas de relações familiares, de laços de fraternidade.
Os magos pagãos oferecem ao menino ouro, incenso e mirra.
O ouro era um dom para os reis: Jesus não somente é o rei dos judeus, mas também dos ‘pagãos’. A humanidade toda representa o Reino de Deus que não tem limites: indiferentemente da religião, cultura, raça ou condição, todos são amados por Deus.
É o prelúdio da paz.
O incenso usado no templo era o sinal do poder sacerdotal: agora nenhuma nação tem o monopólio de Deus, todos os povos têm acesso ao divino, antecipando assim a pregação de Jesus e das primeiras comunidades missionárias.
A mirra era o ungüento que a esposa do rei usava para perfumar seu corpo e a cama do casal. Agora não tem mais uma só nação esposa de Deus, mas a humanidade toda é a esposa amada.
A religião sempre discrimina entre puros e impuros, crentes e pagãos, santos e pecadores, bons e maus, merecedores e não do amor de Deus.
A grande novidade é que Deus ama a todos e Jesus, o Deus conosco, é dom gratuito de Deus que deve ser acolhido sem precisar de esforços humanos e sacrifícios.
É a grande diferença entre religião e fé, entre religião e Evangelho.
Os magos tomam um outro caminho sem passar por Jerusalém. Tenhamos a coragem na missão evangelizadora de não ficar nas jaulas do poder, da tradição e da religião.
Que neste ano novo saibamos enxergar os sinais da presença de Deus, descobrir e tomar novos caminhos que levem a mais justiça para todos os povos, colaborando na construção de uma história de paz.



