
Senhor Presidente Lula,
Nós, Missionários Combonianos da Província do Brasil Nordeste, presentes neste país há mais de 50 anos, temos acompanhado, durante décadas, as lutas, os sofrimentos, as esperanças e as conquistas do povo brasileiro em geral, e nordestino em particular.
Vivendo próximos ao povo, reconhecemos os avanços sociais alcançados pela sua administração durante os últimos anos, especialmente no que diz respeito à redução da histórica e vergonhosa desigualdade social, característica da sociedade brasileira, além da estabilidade econômica que há muito tempo esta nação não experimentava.
Contudo, ao celebrarmos os vinte anos da Constituição cidadã, recordando o seu histórico pessoal de lutas pela defesa dos direitos dos trabalhadores e das classes mais desfavorecidas, olhamos perplexos para as negligências do senhor e do seu governo com relação às graves problemáticas ambientais que o mundo e o Brasil sofrem atualmente e que estão estreitamente ligadas ao modelo de desenvolvimento econômico vigente.
Neste ano em que o mundo inteiro celebra, juntamente com as Nações Unidas, o 60º aniversário da promulgação da Declaração Universal dos Direitos Humanos, compreendemos que o papel da ONU precisa ser reavaliado, para que possa adaptar-se às novas realidades geopolíticas. Nesse contexto, valorizamos os esforços do Brasil para que o Conselho Permanente de Segurança seja reformulado, tornando-o mais representativo e democrático. Também apreciamos as contribuições do País para o re-estabelecimento da paz no Haiti. Independentemente da possível reforma da ONU, fica claro que um dos pilares deste organismo continuará sendo a promoção dos direitos humanos entre todos os povos.
Recentemente, a flagrante violação dos direitos humanos no Tibete, a repressão e a morte de centenas de manifestantes, assim como a resistência do povo tibetano, estão chamando a atenção do mundo inteiro e exigem o posicionamento claro de nações que se prezam pela democracia e pela liberdade. Porém, diante dessa situação, muitos governantes parecem estar mais interessados em garantir as benesses da relação econômica com a China, e permanecem calados.
Todavia, enquanto muitas entidades da sociedade civil estão se manifestando, pelo mundo afora, contrárias às políticas do governo chinês, o senhor e o seu governo têm se mostrado omissos, o que deixa muitas dúvidas a respeito dos verdadeiros interesses da política externa brasileira.
Portanto, unindo-nos à voz solidária de tantas organizações que lutam e promovem os direitos humanos, políticos, econômicos, sociais, culturais e ambientais, exigimos uma postura mais coerente de sua administração a respeito das questões enunciadas; reafirmamos a nossa convicção de que não existirá um autêntico desenvolvimento social para as nações e para o Brasil sem um verdadeiro compromisso com a promoção integral de todos os direitos conquistados pela humanidade até hoje.
Missionários Combonianos do Brasil Nordeste.
Missionários Combonianos do Brasil Nordeste.
11 de abril de 2008