
Não deixa de ser um tanto complicado pretender analisar dados econômicos, ainda mais quando os resultados estatísticos não batem exatamente com a realidade cruel de quem, no dia-a-dia, vai ter que continuar a tocar a vida comendo o pão que o diabo amassou. Seja como for, é desses dias o resultado de mais um estudo feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) que aponta queda de quase 7% na desigualdade da renda do trabalhador no Brasil entre 2002 e o primeiro trimestre de 2008.
Dizem que para se chegar ao resultado foi comparada a renda média do trabalhador desde os 10% mais pobres até 10% mais ricos. E é assim que, de acordo com o estudo, aparece o fato surpreendente que a recuperação de renda dos mais pobres evoluiu quase cinco vezes mais do que a dos mais ricos. Em tempos de festas juninas daria até para comemorar.
Acontece que, nem bem a população de baixa renda comemorou a queda do índice de desigualdade dos salários entre ricos e pobres, um outro estudo revela que o Brasil é o terceiro país do mundo em que mais cresceu o número de milionários. A pesquisa faz parte do Relatório da Riqueza Mundial, elaborada pelo banco Merrill Lynch e pela consultoria Capgemini.
Para se ter uma idéia, conforme o estudo, o número de milionários no Brasil cresceu 19,1% no ano passado. Pasmem, logo atrás da Índia e da China que alcançaram aumento de 22,7% e 20,3%, respectivamente.
A mesma pesquisa fala que hoje já são 143 mil os milionários nossos compatriotas. Nada contra milionários. Mas tem coisas que os comuns mortais têm o direito de se perguntar, pelo menos quanto à parte que cabe ao Brasil.
A pesquisa identificou com certeza nome, sobrenome, endereço, CPF e tudo mais. Além do mais, milionário brasileiro gosta de ostentar à luz do sol suas riquezas e esbanjamentos. Menos fácil de se detectar é sua infiltração nos meandros dos três Poderes.
O que é permitido questionar é se todos esses ilustres magnatas alcançaram esse estágio por conta do seu trabalho lícito e suado. Como também, se todos eles, sem nenhuma exceção, passam de ano em ano na malha fina do Leão. Ou será que a malha por ser tão fina só consegue agarrar os pequenos?
O sonho da uma melhor distribuição da riqueza só será realidade quando o enriquecimento ilícito será combatido com verdadeira vontade política e energia.
Missionários Combonianos
do Nordeste
Julho 2008